english | português










Marília Bulhões

Ao contemplar a obra de Marília, sente-se conforto e satisfação. Suas revelações abstratas sobre seu Brasil natal não carregam no exuberante ou exótico mas evocam, por meio de sua sutileza, uma essência mais profunda. Sua interpretação das estruturas natural, social e econômica do Brasil são altamente empáticas, qualidade um tanto quanto rara no trabalho de alguém que vive fora do seu país, como Marília tem feito há mais de 15 anos.

Marília é mestre do detalhe, evidente em suas pinceladas precisas e tratamento impecável da tela. No entanto, percebe-se também um elemento lúdico, resultado de uma união simples e elegante entre esse equilíbrio rigoroso de elementos com seu desejo de comunicar-se com o espectador e de agradá-lo.

Conheci Marília há cerca de quatro anos, quando organizava uma exposição em nossa Galeria na Rua F e venho podendo observar a evolução de sua obra. Sua coleção mais recente, Formas Orgânicas, representa um marco em sua carreira. Ela está revisando estilos anteriores, experimentando com novas formas, simplificando traços, técnicas e utilizando camadas espessas de tinta em ricas tonalidades monocromáticas. Tudo indica tratar-se de parte de um processo investigativo, que a levará a novas estéticas e introspecção, que certamente irão nos surpreender.

Andrés Navia
Diretor, AMA | Art Museum of the Americas - Washington, D.C. - USA - 2015







TONS TROPICAIS - MARÍLIA BULHÕES & CLEMENTINA DUARTE
Exposição de Pinturas e Jóias Brasileiras

Recepção de Abertura
4 de dezembro, quinta-feira, 15h às 20h, 2014

Local
Residência Oficial do Brasil junto à O.E.A.
Rua Califórnia, 2415, Washinton, DC - 20008

Visitas Privadas
Durante o mês de dezembro, visitas privadas agendadas através dos contatos:
Marília Bulhões | 202.322.8186 | mariliabulhoes.com
Clementina Duarte | 571.241.3988 | clementinaduarte.com.br

Convidei a artista plástica Marília Bulhões para um diálogo artístico. Sinais de forma, cor e textura fluíram entre nós duas, fomentando uma inspiração mútua que acabou por gerar as obras originais que compõem a presente exposição. As raízes de ambas no Nordeste brasileiro tiveram o seu papel, como mostram alguns traços comuns de nossa sensibilidade criativa e nossos valores. Mas isto foi apenas o ponto de partida que utilizamos em nossa conspiração para alcançar este vôo.

Das telas de Marília emana um mistério primário, reconhecido em qualquer lugar e universalmente inspirador. Foi justamente esse aspecto de sua obra que eu mais almejei captar com o metal e traduzir com a leveza das pedras preciosas.

- Clementina Duarte







OBRAS: FAVELA #1 E FAVELA #2 - ACERVOS DO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO BRASIL - PALÁCIO ITAMARATY - Brasília (DF) - Brasil










BRASIL, MEU BRASIL: CONTRASTES DA MODERNIDADE - 2013

O Art Museum of the Americas - AMA apresenta “Brasil, Meu Brasil: Contrastes da Modernidade”, da artista brasileira Marília Bulhões, uma exposição de 15 pinturas que compartilha a missão do AMA de promover uma visão construtiva do futuro da região por meio do intercâmbio cultural hemisférico.

Brasil, Meu Brasil oferece uma visão contemporânea da percepção da artista em relação ao povo, à beleza natural, à modernidade e também aos problemas de seu país. Sua percepção do Brasil é marcada por elementos como a tecnologia aeroespacial e a arquitetura futurística de Niemeyer. Esses elementos contrastam com outros mais conservadores ou menos desenvolvidos, que constituem, igualmente, componentes vitais de sua cultura, como as favelas e os desafios do desmatamento da Amazônia, inter alia. Por meio de seus traços, a artista analisa esses mundos coexistentes e aparentemente incompatíveis.

Com uma abordagem abstrata, Bulhões constrói um diferenciado mosaico do Brasil de hoje, revelando sutilmente contrastes complexos e tecendo um senso de unidade cultural. A artista também explora o conceito de nação com base nesse caleidoscópio de identidades. Ela retrata o Brasil, um dos países mais demograficamente diversificados, como produto de uma miscigenação única de culturas.

Na opinião da curadora Roxana Martin, "Bulhões criou uma paisagem em evolução que pulsa com a energia do Brasil contemporâneo. Seu trabalho tem uma luminosidade que se propaga mesmo em suas tonalidades mais escuras. Ela aplica tinta em camadas, com suaves pinceladas com textura, que destacam a granulação da tela. A cor é transparente e as formas são, ao mesmo tempo, firmes e sutis. Enquanto algumas das pinturas refletem de imediato a tradição, outras são mais ousadas, com a inquietação do desconhecido.Todas conduzem o espectador a um espaço de diálogo e exploração. Trata-se de um trabalho tenaz, maduro, que combina beleza, imaginação e arte."

A arquiteta Juliana Bulhões é a designer do projeto desta exposição.

"Os trabalhos de Marília Bulhões são de uma leveza que quase os tira do chão. Eles perguntam, insinuam, convidam, brincam, lembram, beijam o Brasil. O Brasil não é para ser explicado. É para ser mordido como uma goiaba verde-amarela".
Ministro George Torquato Firmeza
Diretor do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil

OAS | AMA F Street Gallery
1889 F St., NW
Washington, DC 20006















FORMAS SUSTENTÁVEIS - 2011
Espaço Cultural do Hospital Daher – Brasília, Brasil



Para compor minhas obras, levo sempre junto aos meus pincéis alguma inquietação, imagens resgatadas de muitas paragens, sentimentos, paixões, reflexões... Construo obras abstratas, que se concretizam sob pinceladas interativas de que resultam telas, projetos pessoais. Minha inspiração surge das experiências e dos costumes dos diferentes países em que vivo de tempos em tempos e até de viagens especiais isoladas. Dessas histórias, nascem obras reveladas em cores e formas. É o combinado/descombinado levando um ‘olhar’ ao corpo da obra.

Nesta nova série, trouxe um novo conceito pra minha expressão artística, que jamais pensei produzir. Mas, aceitei que um artista pode mudar o seu estilo,- ainda que, de alguma maneira, pareça imutável - porque são os fatos que nos rodeiam que movem a alma da criação. Não há como ficar estático quando tudo em torno parece incômodo e, no caso que ora me inspira, pede socorro.

Dessa vez, fui sacudida pelo desconforto dos desastres ambientais e pelos desalentos que avassalam nossas esperanças quanto ao futuro do nosso planeta. Comecei a pensar no meio ambiente, no destino do meu lixo a partir de uma simples faxina de papéis pessoais. Onde jogá-los depois de inúteis? Qual o fim dos mesmos?

Comecei a triturá-los e olhando pra eles, fui observando como criavam formas: tirinhas lindas, algumas ainda conseguiam sobreviver com um pouco de cor, escritos e até números soltos... Maravilha! Alguma coisa posso fazer a partir desse lixo e reciclar minhas idéias e atitudes. Pensei: NOVAS OBRAS, NOVAS FORMAS – NOVAS FORMAS SUSTENTÁVEIS! E com a minha ousadia, levar a cada um que parar diante das minhas obras um novo pensamento: ONDE VAI PARAR O LIXO DOS MEUS PAPÉIS?